África: enfim, a oportunidade.

fãs abertura da copa do mundo

África  do Sul:  enfim a oportunidade!

Desde os anos trinta do século passado a Copa do Mundo tem sido um evento de proporções extraordinárias  em três aspectos essenciais: a projeção do país sede na mídia; a oportunidade do país anfitrião poder integrar o torneio futebolístico irrrestritamente e a milionária arrecadação turística e publicitária, aliada ao crescimento econômico promovido pelo evento. Não é de se estranhar que estes três aspectos causem rejeição no bloco europeu.

A projeção da África do Sul no mundo incomoda a velha Europa ainda colonialista. O país africano esteve na mídia durante anos apenas para figurar o Apartheid, as guerras civis, a desorganização social e econômica,  a intolerância étnica e a miséria. Até a Adidas internacional, com a Jabulani, bola oficial da Copa, reuniu  as onze cores representantes dos dialetos e etnias da nação anfitriã, ganhando o mercado com o reconhecimento da África do Sul como o maior exemplo de integração democrática, racial e símbolo da paz, da diversidade e da tolerância (ainda que para só para aumentar o mercado de vendas de bolas…). A velha Europa foi muito mais símbolo do nazismo, da opressão e da concentração de renda e riqueza  que promoveu parte generosa das  misérias e atrasos no mundo. Ver o continente africano representar os valores que o velho mundo de fato nunca conseguiu praticar fere a razão e a ética daqueles que se contentam em destinar parte do PIB apenas para  cumprir as oito metas do milênio e “fazer chover comida e remédios sobre os ”negros oprimidos”.

Há ainda um segundo aspecto relevante: embora as seleções européias primem pela qualidade técnica, pelos milionários investimentos no futebol e pelos direitos de mídia e ganhos econômicos com o evento, a seleção sulafricana compete em pé de igualdade com os europeus em chaves onde estes tem mais prestígio e chances de vitória. Num continente de quase cinqüenta milhões de torcedores negros desempregados ou subempregados armados de faca até os dentes, vai ser difícil  a FIFA não  premiar, ao menos em caráter de honra, o time sulafricano. Sem contar os argumentos de que as obras no país sede se atrasariam por causa das greves e que não seria tão lucrativo fazer na África como se fosse na Alemanha, onde toda estrutura já está prontinha, sobretudo a de gerenciar os lucros.

Para os lucros e investimentos, um parágrafo à parte: o velho mundo é o mundo da fatura, não da manufatura. É o mundo do capital gerenciado pelo G8, das noites sem sono da União Européia, inconsistente e dividida nas saídas e investimentos contra a miséria.Ao invés dos remédios, água potável e alimentos não-perecíveis de sempre, a Europa se vê obrigada a investir, através da FIFA, nas obras de infraestrutura essenciais à realização do evento: o país anfitrião constrói estádios, amplia a malha viária, a rede hoteleira, o comércio, a rede bancária, os postos de atendimento,   treina e capacita operários e mão-de-obra antes desqualificados, envolve e agrega trabalhadores e o país cresce e se prepara estruturalmente para manter o desenvolvimento. Aos olhos do colonizador a possibilidade do antigo colonizado traçar sua identidade e singularidade sem a tutela dos nobres é, no mínimo, perturbadora. Sem falar no capital “perdido”: todas as licitações de obras, direitos de divulgação, exclusividades de transmissão sendo discutidos ou  negociados com sulafricanos… A velha Europa no mínimo haveria de torcer o nariz.

A rejeição do bloco europeu, ao que parece, não é apenas uma questão gerencial, legal ou conflituosa entre os países membros da FIFA: o futebol, além de arte, é, como nunca, face aos três argumentos apresentados, uma ideologia de poder, eco da ganância ou da intolerância de alguns poucos contra o sonho de muitos.

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O Arcebispo Desmond Tutu abertura da copa

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Texto: Tiago Ribeiro, ex-aluno da escola, graduando em Engenharia de Produção Mecânica da FEMM.

Fotos:globoesporte.globo.com

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